
- Medo, tristeza, raiva e insegurança são reações esperadas ao diagnóstico de câncer.
- Ansiedade e depressão são mais comuns em quem enfrenta um câncer do que na população geral, e merecem tratamento.
- O apoio psicológico melhora o bem-estar e a qualidade de vida durante e depois do tratamento.
- Familiares e cuidadores também sofrem e também precisam de cuidado.
- O Outubro Rosa lembra a importância do diagnóstico precoce: converse com seu médico sobre os exames indicados para a sua idade.
O que é o Outubro Rosa
Outubro Rosa é a campanha de conscientização sobre o câncer de mama, o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres no Brasil, sem contar os de pele não melanoma. O foco costuma estar na prevenção e no diagnóstico precoce. Neste artigo, falamos de outro lado, menos lembrado: o impacto emocional de receber e atravessar esse diagnóstico.
As emoções mais comuns em cada fase
| Fase | O que costuma aparecer |
|---|---|
| Espera dos exames | Ansiedade intensa, insônia, pensamentos de pior cenário |
| Diagnóstico | Choque, medo da morte, sensação de irrealidade, choro |
| Tratamento | Cansaço, oscilação de humor, medo dos efeitos, luto pela rotina |
| Mudanças no corpo | Insegurança com a autoimagem após cirurgia ou queda de cabelo |
| Fim do tratamento | Alívio misturado com medo de o câncer voltar e sensação de vazio |
| Acompanhamento | Ansiedade antes de cada exame de controle |
Nenhuma dessas reações é sinal de fraqueza ou de "falta de pensamento positivo". A cobrança para estar sempre forte e otimista costuma pesar mais do que ajudar.
Quando a reação esperada vira algo que precisa de tratamento
- tristeza ou desânimo na maior parte dos dias por mais de duas semanas;
- perda de interesse por tudo, inclusive pelas pessoas próximas;
- ansiedade que impede de dormir, comer ou ir às consultas;
- crises de pânico;
- sensação de culpa intensa ou de ser um peso para a família;
- pensamentos de que não vale a pena continuar o tratamento ou a vida.
Ansiedade e depressão têm tratamento também durante a quimioterapia, a radioterapia e a hormonioterapia. Tratar o sofrimento emocional ajuda inclusive a seguir o tratamento oncológico.
Autoimagem, sexualidade e feminilidade
A retirada da mama, as cicatrizes, a queda de cabelo, as mudanças de peso e a menopausa induzida pelo tratamento mexem com a forma como a mulher se vê e se relaciona. Falar disso com a equipe de saúde e com o parceiro ou parceira é importante, e a psicoterapia oferece um espaço seguro para elaborar essas perdas e reconstruir a relação com o próprio corpo.
Como a família e os amigos podem ajudar
| Ajuda | Atrapalha |
|---|---|
| "Estou aqui. Do que você precisa hoje?" | "Você precisa ser forte" |
| Oferecer ajuda concreta: levar ao exame, cozinhar, cuidar dos filhos | "Se quiser alguma coisa, me avisa" (e sumir) |
| Escutar o medo sem tentar resolver | Contar histórias de quem morreu ou de curas milagrosas |
| Respeitar os dias ruins | Exigir otimismo o tempo todo |
| Manter o contato depois do fim do tratamento | Agir como se tudo tivesse voltado ao normal |
Quem cuida também precisa de cuidado
Parceiros, filhos e familiares que acompanham o tratamento costumam viver ansiedade, cansaço e medo, muitas vezes escondidos para "não preocupar". Reservar pausas, dividir tarefas e buscar apoio psicológico também é cuidar de quem está doente. Veja esgotamento emocional.
A equipe da PsicoVivendo pode ajudar. Atendimento em Penha/SC e online, com psicologia, atendimento médico e avaliação.
O papel do apoio psicológico
A psico-oncologia é a área que cuida dos aspectos emocionais de quem enfrenta o câncer. Estudos mostram que as intervenções psicológicas reduzem o sofrimento emocional e melhoram a qualidade de vida dos pacientes. O acompanhamento pode ajudar a:
- lidar com o medo e a incerteza;
- comunicar o diagnóstico aos filhos e à família;
- tomar decisões sobre o tratamento com mais clareza;
- atravessar mudanças no corpo e na rotina;
- voltar ao trabalho e à vida social;
- conviver com o medo de recidiva depois do tratamento.
Na PsicoVivendo, a psicoterapia online é uma opção para quem está em tratamento e tem pouca energia para deslocamentos, e o atendimento médico em saúde mental avalia quando ansiedade e depressão precisam de tratamento medicamentoso, sempre em conjunto com a equipe oncológica.
E a prevenção?
O diagnóstico precoce aumenta muito as chances de tratamento bem-sucedido. Converse com seu médico sobre os exames indicados para a sua idade e o seu histórico, e procure avaliação se notar alterações na mama, como nódulo, retração da pele ou do mamilo, secreção ou mudança de formato.
Se houver pensamentos de morte ou de se machucar, ligue para o CVV no 188 (gratuito, 24 horas), para o SAMU no 192 ou procure uma UPA ou o CAPS da sua cidade.
Perguntas frequentes
É normal ficar deprimida depois do diagnóstico de câncer de mama?
Tristeza, medo e choque são reações esperadas. Quando a tristeza é intensa, dura mais de duas semanas e atrapalha a rotina, pode ser depressão, que tem tratamento.
Ansiedade pode causar câncer de mama?
Não há evidência de que a ansiedade cause câncer de mama. Mas ela merece cuidado, porque afeta o bem-estar e a qualidade de vida.
Posso fazer terapia durante a quimioterapia?
Sim. A psicoterapia pode acontecer durante todo o tratamento, inclusive online, nos dias em que sair de casa for difícil.
Posso tomar antidepressivo durante o tratamento do câncer?
Em muitos casos, sim, mas a escolha deve ser feita pelo médico em conjunto com a equipe de oncologia, porque alguns medicamentos interagem com tratamentos do câncer.
Como falar com os filhos sobre o diagnóstico?
Com linguagem simples e verdadeira, adequada à idade, garantindo que eles vão continuar sendo cuidados. O apoio de um psicólogo ajuda a preparar essa conversa.
Fontes e referências
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Controle do câncer de mama. Abrir a fonte
- Mitchell, A. J., Chan, M., Bhatti, H., et al. (2011). Prevalence of depression, anxiety, and adjustment disorder in oncological, haematological, and palliative-care settings: a meta-analysis of 94 interview-based studies. The Lancet Oncology, 12(2), 160-174. Abrir a fonte
- Pitman, A., Suleman, S., Hyde, N., & Hodgkiss, A. (2018). Depression and anxiety in patients with cancer. BMJ, 361, k1415. Abrir a fonte
- Faller, H., Schuler, M., Richard, M., et al. (2013). Effects of Psycho-Oncologic Interventions on Emotional Distress and Quality of Life in Adult Patients With Cancer: Systematic Review and Meta-Analysis. Journal of Clinical Oncology, 31(6), 782-793. Abrir a fonte
- Centro de Valorização da Vida (CVV). Apoio emocional e prevenção do suicídio: telefone 188. Abrir a fonte
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